2 tight 2 fold
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NL – META-GAME E ESTRATÉGIA

Boas

Encontrei este post e acho mt útil para quem esta a começar a jogar cash games e resolvi partilhar.

O PokerTracker e o PokerAce Hud são duas ferramentas bastante úteis e difundidas na comunidade de Poker online. Sendo quase obrigatórias para a compreensão deste texto, vou começar com uma pequena introdução a ambas:

# PokerTracker é um programa que tem como finalidade arquivar todas as mãos (tanto jogadas por nós como pelos adversários, no período de tempo em que jogamos com eles), e fornecer análises estatísticas das mesmas. Entre a quantidade de informação que o PokerTracker dá, encontram-se valores que já fazem parte do “slang” de poker e que são, a nivel conceptual, cruciais para pensar sobre o jogo.

Alguns dos valores fundamentais:

VPIP – Voluntarily Put $ Into Pot: Este valor representa, em percentagem, o número de vezes que alguém decidiu jogar uma mão pre-flop (voluntariamente, pois caso ele esteja nas blinds é forçado a colocar $ no pot e, nesse caso, esse $ não é contabilizado.).
A utilidade deste valor está em expressar a percentagem de mãos que o adversário está a jogar, dando-nos, assim, um indicador de quão tight ou loose está a ser.

PFR – Pre-Flop Raise: Representa, em percentagem, o número de mãos com que o adversário está a fazer raise pre-flop. É particularmente útil quando pensado em conjunto com o VPIP, pois esse par (vulgarmente apresentado como VPIP/PFR), não só expressa que percentagem de mãos alguém está a jogar, como também a proporção das quais está fazer raise.
Por exemplo, usando essa notação, um jogador com 30/20 está a jogar 30% das mãos e a fazer raise com 20%.

ATS – Attempt to Steal: Representa a percentagem de vezes que o adversário, estando em late position e sem nenhum limper, faz raise.

Folded SB/BB To Steal: Um pouco óbvio, representa a % de vezes que o adversário faz fold das blinds a um raise que obedece os critérios de Attempt To Steal.

AF – Agression Factor: Exprime o quociente entre o número de vezes que alguém faz bet ou raise, e o número de vezes que alguém faz call. É assim um indicador da agressividade.

CBET – Continuation Bet: Frequência com que um adversário, após ter tomado a iniciativa de fazer raise pre-flop, faz bet no flop.

Went To SD/Won At SD – Representa, dentro do número de mãos com que um adversário ve o flop, a frequencia com que vai até ao showdown, e o ganha, respectivamente.

# PokerAce Hud permite colocar, directamente nas mesas, todas as informações estatísticas, disponíveis no PokerTracker, sobre dos jogadores. Isso possibilita termos presente todos os indicadores sobre os adversários, ao mesmo tempo que jogamos com eles.

Meta-Game e Estratégia.

Pensar no jogo a nível estratégico implica pensar no abstracto e não em mãos concretas, daí o conceito de Meta-Game.

Antes de explorar outros pontos, vou fazer uma referencia rápida ao ênfase que a posição tem. Jogar em posição marca uma diferença enorme no EV esperado (o winrate cai abruptamente ao longo das posições). A razão disso não está no âmbito deste texto, já que é um conceito básico e comentado constantemente mas, para mais referências, procurem sobre o “Gap Concept”, descrito por Sklansky no Theory of Poker, e tenham presente que em NL é muito raro o flop melhorar a nossa mão, especialmente para mais que um par.
Quero ainda fazer notar que a maioria dos pontos que vou abordar vão ter por base valores dados pelo PokerTracker. Mas, se o que esses valores representam for compreendido conceptualmente, o mesmo tipo de informação está disponível por observação (apesar de ter menos rigor e exigir mais atenção).

Basicamente, é uma questão de hand-ranges e optimizar o nosso jogo contra o adversário. Se um jogador tem um VPIP elevado demais (30+), está a fazer limp com um range extremamente largo; se tivermos posição sobre um limper com esse tipo de VPIP, de acordo com o número de jogadores que falta agir e o perfil deles, devemos punir esse(s) jogadores alargando o nosso range de raise pre-flop já que, na maioria das vezes, estes vão fazer fold ao nosso raise pf (se fizerem call, dado o range deles, vão ter uma mão fraca que, frequentemente, não vai ter ajuda no flop).

Para explorar este aspecto em particular, ter posição na mão é indispensável na esmagadora maioria dos contextos: Button ou CO são posições priveligiadas para tal. Essa situação, como todas no poker, deve ser adaptada ao contexto específico – para isolar um weak limper, por ex, prefiro estar em UTG+1 com KJo e ter um CO e Button com VPIP 28.

Todos os factores devem ser pesados: se o jogador não só tem um VPIP elevado, como faz call das CBET’s muito frequentemente (CCBET – Calls Continuation Bet de 75 por ex.), melhor para nós. Não só ele vai estar a fazer limp call com um range muito largo, como vai continuar com mãos marginais fora de posição post-flop. Nesses casos gosto de fazer um 2º barrel no turn com maior frequência (coisa que muito raramente faço como stone cold bluff). Claro que tirar partido de uma falha por parte do adversário deve ser mesmo isso, ajustar de forma a tirar partido dessa falha e não originarmos uma ainda maior do nosso lado. Se o adversário for uma calling station total, é um erro ainda maior tentar constantemente roubar-lhe o pot. O correcto deverá ser reduzir nas CBET’s com ‘air’, e aumentar nas value bets – mãos que por regra tento limitar a betting a duas streets (top pair com kicker medio/bom), passo a bet as 3 streets for value.

Isto leva-nos a um ponto: a importância de procurar isolar os jogadores com os quais temos maior edge. No fundo, tentar jogar mais pots contra adversários que temos maior edge, e tentar evitar mais os outros (especialmente fora de posição). Apesar de ser um conceito simples – se conseguimos um winrate de 10 contra um grupo de adversários (A) e de 2 contra outro (B), é claramente vantajoso procurar jogar mais pots contra o grupo A, e evitar jogar pots grandes e fora de posição contra o grupo B – este é sub-explorado pela maior parte dos jogadores.
Eu dou ênfase suficiente a esse aspecto para o ter em consideração ao decidir o que fazer pre-flop. É comum alargar mais o meu range para 3º bet pre-flop a um determinado adversário no grupo A, do que alargaria, baseado apenas noutros factores: o seu hand-range, a minha mão e posição, e a dinâmica da mesa, com vista a isolar-me com ele post-flop.
Por outro lado, face a jogadores do grupo B, não me importo de fazer check das blinds com AQo fora de posição, caso estes tenham limped de early position.

Em relação ao PFR aplica-se o mesmo tipo de lógica – se o range dele é maior, é vantajoso alargar o range com que fazemos 3º bet. Gostaria de fazer notar a utilidade do ATS: nalguns adversários os valores PFR e ATS são próximos (12-14); isso diz-nos que eles não estão a aumentar significativamente a frequência do raise pre-flop quando em posição (CO ou Button) e que, provavelmente, a estratégia pre-flop que estão a adoptar é pouco position-aware. Já noutros casos, a diferença é enorme (18-35) e isso deve ser considerado quando temos posição sobre eles (Button vs CO), ou quando estamos a pensar num range ideal para defender as blinds.

Estar consciente de quais os adversários que estão a adoptar uma estratégia pre-flop mais position-aware, não só nos dá um um indicador acerca de quem tem noção de alguns conceitos teóricos, como abre a possibilidade para algumas jogadas mais creativas – squeeze play.
Basicamente, squeeze play passa por tentar explorar alguns contextos específicos: um contexto explorável será, por ex, um adversário com um PFR alto fazer raise pre-flop, e um ou mais adversários loose fazerem call. Dado que o range do raiser inicial é grande e os outros apenas fizeram call, é muito provável que ninguém tenha uma mão capaz de suportar uma 3º bet substancial. Fazer raise aqui não só tem uma boa probabilidade de levar o pot pre-flop como, frequentemente, consegue isolar o raiser inicial (ou um dos outros que esteja set-farming). Qualquer um deles, sem posição, vai ter sérios problemas a continuar post-flop sem uma mão extremamente forte.
Outro exemplo de uma situação explorável, segundo a mesma lógica ou conceito, passa por analisar o contexto em que um adversário, position-aware, faz raise pre-flop. Caso ele se encontre num contexto em que provavelmente está a tentar tirar partido de outro(s) adversários propícios a isso – adversários que têm um VPIP alto e fizeram limp -, podemos colocá-lo num range mais largo e, consequentemente, fazer 3º bet com um range maior. Esta última situação é mais frequente quando estamos nas blinds e, apesar de não termos posição, se os contextos forem bem escolhidos, a taxa de sucesso vai ser favorável.
Como todas as jogadas mais creativas, estes exemplos só são eficazes quando usados exporádicamente.

Adaptar o nosso ATS ao valor de Fold da SB/BB dos adversários é extremamente fácil – quanto mais alto for a % de fold, maior o range com que vamos fazer raise. Quero apenas sublinhar que não faço raise com quaisquer duas cartas já que, mesmo que o Fold da SB/BB seja 90 ou acima, por muito pouco observadores que os adversários sejam, tendem a notar taxas de 100%; prefiro, assim, algo como 70 ou 80%, e disfarçar mais o que estou a fazer, até porque não os quero alertar.

Post-flop a forma como me adapto aos adversários torna-se bastante mais específica.
Mais tarde vou elaborar mais, para já vou apenas referir dois valores – Fold to CBET e CBET’s – que são essenciais no flop (grande parte dos pots não passa do pre-flop/flop de qualquer forma).
O comportamento a adoptar post-flop, face ao valor de Fold to CBET do adversário, deve ser óbvio – quanto mais alto, mais frequentemente vamos fazer CBET. No geral, se um adversário tem um Fold to CBET bastante alto (75 por ex), e faz call no flop, quase nunca vou fazer 2º barrel com uma mão marginal. Se ele, para além de ter um Fold to CBET alto, tem um VPIP baixo (não só é tight pre-flop, como só continua post-flop sem posição com as melhores mãos), vou ser muito conservador em relação às value bets – mãos como top pair top kicker, vou fazer check behind no turn na maior parte das vezes.
Em relação ao CBET value, cada vez mais encontro adversários que cometem um erro terrível em relação a isso – têm um valor demasiado alto (80>), combinado com um PFR ou ATS também alto. Se um adversário está a fazer raise em posição frequentemente e post-flop está a fazer CBET também quase sempre, vai ter mãos muito marginais uma grande parte dessas vezes (a análise que faço, de seguida, funciona tanto fora de posição [quando me refiro a check-raise], como em posição [considerar o check-raise como raise]. A unica situação em que se torna diferente é, quando o adversário faz, frequentemente, 2º barrel do turn, fora de posição. Basta aplicar o mesmo tipo de lógica, para procurar explorar as situações) para explorar isso, subo a frequencia com que faço check-raise (mesmo com air). Lead está praticamente fora de questão, já que se eu o fizer, não vou dar a oportunidade ao adversário de cometer um erro (fazer CBET demasiado frequente). O check-raise é bonito, mas não é eficaz se usado com frequência, além de que, é horrível para usar como default em mãos com que gostaria de controlar o tamanho do pot, fora de posição. Outra linha interessante é fazer call no flop e lead o turn – tanto posso fazer call for value, como call com air, com o intuito de fazer bluff no turn (é vantajoso, nestas situações, saber avaliar a textura da board).
Em suma, face a um adversário que exagera nas CBETs, devemos sempre dar-lhe oportunidade de a fazer, pois explorar esse erro é mais vantajoso que explorar um ATS ou PFR alto (já que a CBET fá-lo investir bem mais no pot).

Quando estamos a adaptar a nossa estratégia para explorar erros do adversário, é preciso também pensar na capacidade de adaptação dele, e adoptar uma linha menos vulnerável. Pegando no exemplo anterior: se ele faz CBET em demasia e fizermos sempre call for value com mãos marginais (one pair type hands), e apenas check-raise com air, monster hands e semi-bluff’s, ele vai ter facilidade em explorar isso – para termos uma % ideal de air contra ele, os nossos CR’s vão ser muito mais vezes air ou um draw que, por ex, um set. Basta-lhe fazer call dos CR’s que, quando o turn for uma blank, vai conseguir levar-nos o pot (não vamos ter uma monster hand vezes suficientes para isso lhe ser prejudicial).

Há pouco referi que o meu jogo post-flop é mais específico face ao adversário; isso deve-se a uma constatação simples: a maior parte dos adversários que estão a adoptar uma estratégia pre-flop decente, estão a jogar em auto-pilot post flop. Jogam o mesmo tipo de mãos (one pair, draws, sets), da mesma forma, quase sempre. Por exemplo, em posição, em determinado tipo de boards, estão a jogar top pair com um check behind no turn; ou quando estão a jogar fora de posição, sempre que têm uma mão marginal, vão para check-call mode. Posso dar imensos exemplos, mas o ponto é que estão a utilizar uma estratégia constante, baseada na percepção que têm do jogo (a maior parte ou nunca faz slowplay, ou está a fazer slowplay por default. Ou faz lead com draws quase sempre, ou os jogam em check-call, ou são muito agressivos com eles).

Apesar do nível médio dos adversários ter vindo a subir ao longo do tempo, a maioria continua a ser muito explorável; basta tomar atenção à estratégia que estão a empregar. Para tal gosto de usar notes. Sempre que observo uma mão que acho adequada para generalizar (uma mão genérica que exprime a estratégia default de um jogador, num determinado contexto), sinto-me bastante confiante a tirar uma nota que caracterize esse aspecto do jogo dele. Apesar de poder ser precipitado, dou-me muito bem com esse sistema e sinto que na maioria dos casos funciona bem. O tipo de notas que tiro são observações generalistas, ainda que com base numa amostra pequena – uma nota do género: ”omg fish, got stacked with T high flush”, é muito específica; por outro lado: ”will play any flush on unpaired board, unraised pf, for stack” já é uma observação do meta-game dele. Várias vezes assisto a mãos em que, apesar de não achar que possa extrapolar para o meta-game do adversário, vale a pena tirar algumas notas. Para cobrir esse tipo de casos costumo usar uma notação simples, como: ”will *do something*” quando estou a tirar uma nota que quero extrapolar, e ”capable of *somehting*” quando quero anotar uma mão na qual se passou algo interessante (ex: ”capable of calling the river with AK high, when opponent played with an odd line”).

Gostaria, também, de mencionar uma leak comum: a estimativa de implied odds e a forma como determinadas caracteristicas do estilo de jogo do adversário afectam isso. Se um jogador é loose (joga muitas mãos pre-flop) as implied odds descem, pois ele vai ter uma mão com que esteja disposto a jogar um pot grande, muito menos vezes que um jogador tight (um jogador tight vai ter top pair top kicker para cima, muito mais vezes).
Outra caracteristica relevante é o Went to SD/Won at SD – se um jogador tem um Won at SD demasiado elevado, é um alvo fácil para jogar mais agressivo post-flop contra e roubar alguns pots, mas oferece menos implied odds. Por outro lado em relação ao Went to SD, se este valor for demasiado elevado, ou ele é muito tight pre-flop ou está a levar muitas mãos post-flop longe demais e, nesse caso, as implied odds sobem.
No fundo só queria apontar que contra alguns adversários posso fazer call com, por ex, um pocket pair com o intuito de hit um set, se ele tiver uma stack de aproximadamente 9x a bet. Com outros já só o farei se me ‘oferecerem’ uma stack de 14x+.

Finalmente, ainda em relação às implied odds, quero abordar um conceito muitas vezes mal compreendido – alargar o range de raise pre-flop para proteger as melhores mãos. Aqui a ideia não é a de ganhar valor por camuflar as melhores mãos, mas sim reduzir as implied odds dos adversários. Ex:
Se eu só fizer 3º bet pre-flop com AA/KK, o adversário tem muito boas implied odds com um leque grande de mãos, pois tem a garantia que eu tenho uma mão com a qual vou, provavelmente, perder a stack ou, no mínimo, envolver-me bastante. Colocando isso em números, se ele tem que fazer call de $12, e eu tenho mais $100 de stack, considerando o dead money que já tem que estar no pot, ele tem cerca de 1:10. Se eu jogar o AA/KK pela stack sempre, dá-lhe boas implied odds (Nota: se ele só fizer call pre-flop da 3º bet para hit um set e fizer fold no flop sempre que falha o set, eu não tinha necessidade de jogar o AA/KK pela stack. Mas set-farming não é o único tipo de mão na range da maioria dos adversários). Agora, se quando eu faço o 3º bet, 1/3 das vezes tenho AA/KK, 1/3 uma mão para top pair good kicker e 1/3 mãos especulativas ou air, quando ele faz call vai estar numa posição muito mais frágil – vai estar perante uma CBET post flop e, quando ele falha o set, apesar de nalguns casos ter a melhor mão, não vai ter como jogar esses casos com +EV. Por outro lado quando hits o set, uma parte considerável das vezes não vai levar mais que metade da minha stack, e as implied odds iniciais que lhe estava a dar de 1:10, vão cair para um valor abaixo das que ele precisa (1:7,5)

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